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Ministério lança campanha

Ministério lança campanha contra a obesidade infantil

Folha de São Paulo – São Paulo, terça-feira, 06 de março de 2012

Cerca de 5 milhões de alunos serão pesados e orientados; objetivo é evitar ‘geração de hipertensos e diabéticos’

PAULO PEIXOTO
DE BELO HORIZONTE
FILIPE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A obesidade em crianças e adolescentes será tema de uma campanha anual do Ministério da Saúde que envolverá, neste ano, cerca de 5 milhões de estudantes de escolas públicas do país.

Até sexta, equipes vão pesar os alunos, calcular o índice de massa corporal e fornecer orientação nutricional.

Estudantes com excesso de peso poderão ser encaminhados a unidades de saúde.

A Semana de Mobilização Saúde na Escola é voltada a alunos de5 a19 anos de 22 mil escolas em 1.938 municípios (cerca de um terço das cidades do país).

Segundo o secretário nacional de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães, o objetivo é evitar “uma tragédia futura, que é uma geração de obesos, hipertensos e diabéticos.”

Endocrinologistas dizem que as ações são necessárias, mas avaliam que houve demora na percepção do problema. Em 2009, uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos tinha peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE.

Entre os jovens de10 a19 anos, 20% eram obesos.

Outra crítica é em relação à duração do programa.

Segundo Márcio Mancine, Coordenador da Liga de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas, uma semana é pouco, pois mudar hábito alimentar é complexo e demanda acompanhamento. Ele, porém, elogia a iniciativa voltada para a prevenção, não só ao tratamento.

A presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), Rosana Radominski, diz que boa alimentação deve fazer parte do currículo escolar naturalmente. “Em vez de estudar frações com pizza deveríamos usar maçãs.”

PARTICULARES

Escolas particulares se adiantaram à iniciativa e promovem orientação constante.

O Colégio Stace Dual (Bela Vista) envia bilhetes para os pais orientando a respeito de alimentação saudável quando uma criança traz doces, refrigerantes ou alimentos pouco nutritivos na lancheira.

Já o Colégio Castanheiras (Tamboré) adicionou alimentos orgânicos. As crianças também participam de gincanas, cuidam de uma horta e da preparação de comidas.

No Colégio Oswald de Andrade, na Vila Romana, a preocupação com alimentação veio dos pais há três anos. A escola procurou a Nutrical, que prepara refeições feitas sob cuidados nutricionais, e retirou as frituras da mesa.

Análise

Hábito alimentar saudável é aprendido durante a infância

LARISSA BALDINI FARJALLA MATTAR
ESPECIAL PARA A FOLHA

É importante ensinar a criança sobre alimentação saudável desde os primeiros anos de vida, pois é neste momento que ocorre a formação do seu hábito alimentar.

Então é necessário introduzir e apresentar à criança uma maior diversidade de alimentos e preparações, priorizando sempre os de boa qualidade nutricional.

A participação dos pais na formação deste hábito alimentar saudável é importantíssima, uma vez que eles são os responsáveis por apresentar aos seus filhos o mundo dos alimentos. A alimentação a ser oferecida em casa deve ser colorida, diversificada e balanceada, para a criança não enjoar e aprender a comer de tudo, e assim evitar qualquer distúrbio alimentar, como a obesidade infantil.

Além dos pais, a escola também é importante na formação e na promoção do hábito alimentar saudável. Isso porque o tempo de permanência na escola é longo, e a criança realiza ao menos uma refeição no local por dia, durante cinco dias da semana.

Por isso, é imprescindível que a escola ofereça um cardápio saudável e equilibrado, e que inclua na sua grade curricular atividades sobre educação nutricional.

Os programas de alimentação escolar não devem apenas garantir à criança o acesso, mas também incentivar o consumo de alimentos saudáveis e nutritivos, evitando os distúrbios alimentares.

A promoção do hábito alimentar saudável em crianças deve ser contínua, em casa e na escola, com o objetivo de prevenir a obesidade infantil e garantir alimentação com qualidade e equilíbrio ao longo da vida toda.

LARISSA BALDINI FARJALLA MATTAR é nutricionista do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo